Casca da raiz de Mimosa Hostilis – história, botânica e utilizações

Mimosa Hostilis rotbark 100 g i förpackning från Växtbutiken

A Mimosa Hostilis, botanicamente Mimosa tenuiflora, é uma árvore espinhosa e resistente à seca que cresce em estado selvagem no norte e nordeste da América Latina. A sua casca da raiz tem uma longa tradição de utilização na região – como corante natural no artesanato têxtil, como parte dos cuidados de pele tradicionais no México, e como planta culturalmente significativa no nordeste do Brasil. Na Växtbutiken vendemos a casca da raiz suavemente seca, inteira ou moída, como matéria-prima botânica para quem se interessa pela história e pela utilização artesanal da planta.

Botânica e origem

A Mimosa tenuiflora pertence à família das leguminosas (Fabaceae) e é originaria do bioma Caatinga, no nordeste do Brasil – uma paisagem seca e espinhosa de matagal que cobre partes dos estados da Bahia, Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte. A árvore também ocorre naturalmente mais a norte, através do México (Oaxaca, Chiapas), bem como em El Salvador, Honduras, Panamá, Colômbia e Venezuela. Atinge normalmente 4 a 8 metros de altura, tem folhas plumosas semelhantes às da mimosa e espigas de flores brancas perfumadas, e é conhecida como uma espécie pioneira que recupera rapidamente após secas e incêndios florestais. A casca é castanho-escura a cinzenta no exterior, mas avermelhada no interior – o que deu origem a vários dos seus nomes populares.

Tepezcohuite – a tradição mexicana de cuidados de pele

No México, a casca é chamada tepezcohuite, um nome com raízes na língua nahuatl. Ali tem sido utilizada há gerações na medicina popular tradicional, aplicada sobretudo localmente na pele. O tepezcohuite ganhou atenção internacional na sequência de duas graves catástrofes no México nos anos 1980 – as explosões de gás de San Juan Ixhuatepec em 1984 e o grande terramoto da Cidade do México em 1985 – quando, segundo vários relatos da época, a casca em pó foi utilizada por profissionais de saúde e pela Cruz Vermelha para tratar vítimas de queimaduras, quando o material médico convencional escasseava. Estes acontecimentos contribuíram fortemente para a reputação da casca como um recurso tradicional valioso para os cuidados da pele e de feridas na medicina popular mexicana.

Jurema Sagrada – uma planta sagrada no nordeste do Brasil

No seu Brasil natal, onde a árvore é chamada jurema preta, a casca da raiz tem um profundo significado cultural e espiritual. É central na Jurema Sagrada, uma tradição religiosa e ritual com raízes em povos indígenas como os Potiguara e os Tabajara do nordeste do Brasil, que ao longo do tempo se entrelaçou com elementos afro-brasileiros e do catolicismo popular naquilo que é conhecido como Catimbó. A tradição continua viva hoje entre vários grupos, incluindo os Kariri, Pankararu, Truká e Atikum, e a raiz da árvore de jurema tem sido historicamente utilizada para preparar uma bebida cerimonial que desempenha um papel central nestes contextos. É parte do património cultural vivo da região – uma lembrança de como uma única planta pode estar profundamente entrelaçada com a vida espiritual de diferentes povos, muito além das suas utilizações práticas.

Tinturaria têxtil natural

A casca da raiz contém um elevado teor de taninos – até cerca de 16 por cento segundo estudos farmacognosicos – o que historicamente a tornou popular tanto como agente curtiente para couro como corante têxtil natural. Dependendo da fibra, da concentração e dos mordentes utilizados, a tintura pode produzir desde tons quentes castanho-avermelhados e ferrugem até matizes mais profundos de vermelho-vinho e roxo. Isto torna a casca da raiz uma matéria-prima apreciada para a tintura natural de fio, tecido e outras fibras naturais – especialmente para quem deseja evitar corantes sintéticos e trabalhar com tradições artesanais de vários séculos.

Cuidados de pele e cosmética modernos

A tradição mexicana de cuidados de pele em torno do tepezcohuite encontrou nos últimos anos o seu caminho na indústria cosmética comercial, onde extratos da casca – muitas vezes comercializados sob nomes como "a árvore da pele mexicana" – aparecem em produtos que destacam os taninos naturais da casca e a sua reputação como ingrediente suave para a pele. Tal como acontece com outras matérias-primas botânicas de longa tradição, o interesse pela Mimosa tenuiflora tem crescido à medida que mais pessoas procuram alternativas naturais nos cuidados de pele e no artesanato.

A nossa casca da raiz – inteira ou moída

Na Växtbutiken vendemos casca da raiz de Mimosa Hostilis como matéria-prima botânica, seca com cuidado e disponível tanto em pedaços inteiros como em pó moído – consoante pretenda trabalhar com tintura, artesanato ou outros projetos criativos. Tal como com todo o material vegetal seco, recomendamos que a guarde num local escuro, seco e hermético para uma melhor conservação, e que teste sempre primeiro pequenas quantidades se estiver a experimentar tinturas ou novas receitas.

Fontes

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